A salvação nacional<br> está na derrota desta política

Rui Fernandes (Membro da Comissão Política)

Durante semanas vivemos uma espécie de concurso/novela com um enredo e protagonistas conhecidos, os mesmos que atiraram o País para a situação em que se encontra. Nem faltaram, como há 38 anos acontece, os episódios tendo o PS como protagonista. O PS que votou a favor da moção de censura do Partido Ecologista «Os Verdes» ao mesmo tempo que dialogava com o Governo a «salvação»; o PS que diz baixinho querer eleições, e aceitou conversar com o PSD/CDS-PP uma putativa solução.

O País precisa do PCP e dos seus aliados da CDU

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O palavreado crítico do PS ao Governo, com as eleições autárquicas no horizonte, a mais das vezes centrando-se nas questões de forma, não consegue esconder que as suas opções não são a ruptura com a política de direita, mas sim poder dar continuidade, com este ou aquele acerto, a eixos estruturantes da actual política.

A vaza final da jogada (não do jogo) de poker de Paulo Portas, foi a moção de confiança e as linhas de ofensiva ideológica procurando fazer crer que este é um novo Governo, quando na verdade este é um decadente e cada vez mais ilegítimo Governo, ao serviço de uma teia de interesses espúrios e que se prepara, aqui sim, para um novo ciclo da ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas; contra os trabalhadores da administração pública, incluindo militares e forças e serviços de segurança; contra a autonomia do Poder Local Democrático; de privatizações de empresas e sectores estratégicos e de uma ainda maior alienação da soberania.

Um velho Governo e uma velha e desgraçada política que, servindo os interesses do grande capital e tendo o Presidente da República como chefe da mesa de jogo, espalha cada vez mais pobreza, miséria, desemprego e degrada o regime democrático.

Ao contrário do que pretendem fazer crer, visando alimentar resignações e desânimos, este é um Governo fragilizado que nenhum malabarismo estatístico, nem nenhuma mistificação quanto ao conteúdo das medidas em curso, consegue esconder. Um Governo e uma política que gera e se alimenta de SWAP, PPP, BPN e BPP, do jogo financeiro parasitário.

Derrubar mistificações

No quadro da já referida ofensiva ideológica, assistiremos redobradamente à mistificação que tenderá a querer fazer passar que de um lado, CDS-PP, estão as medidas para o desenvolvimento e a preocupação social e, do outro lado, PSD, a política crua e rude da troika, do pacto de agressão. A realidade é que ambos são fiéis executores de uma mesma ruinosa política que tem de ser derrotada. E porque Governo fragilizado não é sinónimo de paralisado, terá que ser a continuação e a ampliação da luta, mais cedo do que tarde, a ditar a sua derrota.

Como temos vindo a afirmar, a urgência de uma ruptura com a política de direita e de uma mudança na vida nacional que abra caminho à construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, constitui um imperativo nacional, uma condição para assegurar um Portugal com futuro, de justiça social e progresso, um País soberano e independente. Uma política que seja capaz de libertar Portugal da dependência e da submissão, recuperar para o País o que é do País, devolver aos trabalhadores e ao povo os seus direitos, salários e rendimentos.

Esclarecer, mobilizar, agir

No quadro da situação actual e da multiplicidade de respostas a dar, a preparação da Festa do Avante! e o prosseguimento e ampliação do envolvimento e do contacto com os trabalhadores e as populações, com vista às eleições autárquicas de 29 de Setembro, assumem particular importância. O trabalho que é necessário realizar para ambas tem que ser visto como parte da luta e integrar o esclarecimento quanto ao quadro da situação política, projecto e propostas do Partido e da CDU. A situação do País dá ainda mais destaque à importância do reforço do PCP e da CDU, das suas características de trabalho, honestidade e competência. Características importantes no plano do Poder Local, mas inegavelmente a todos os níveis da acção e responsabilidade política. O País precisa do PCP e dos seus aliados na CDU, dos seus valores, da sua política, do seu projecto. O País, os trabalhadores, os agricultores, os micro e pequenos empresários, precisam de um PCP mais forte.

Com imensa confiança na força da nossa razão, que a vida comprova, conscientes que dificuldades não significam impossibilidades, prosseguiremos a nossa luta, acção e intervenção por uma ruptura com esta política e pela consagração dos valores de Abril no futuro de Portugal.




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